A importância da inclusão social de crianças com deficiências
físicas ou mentais é muito importante para ter desenvolvimento como pessoa. As
experiências que tivemos quando crianças, certamente refletiram e nos moldou
como adultos hoje. Não será diferente para as crianças que precisam de uma
educação especial em certos aspectos.
Precisamos mostrar às crianças sem alguma deficiência que isso não
as tornam melhores daqueles que tem. Precisamos mostrar que todos somos iguais
de certa forma e que ter nascido especial, não é um problema.
Ao visitar uma sala em uma escola de Educação Infantil a Ensino fundamental, perguntei a 5 crianças quem tinha um amigo especial e pedi para que elas desenhassem como elas veem esses amigos. Após observar os desenhos, fiz algumas perguntas para cada.
Segue abaixo desenhos de 3 crianças e suas respostas às perguntas:
GIOVANA, 8 ANOS – Tem uma amiga com
Sindrome de Down.
Como você trata seu amigo especial?
R.: Normal, ela não é diferente de
mim.
Como é ter uma amizade com uma pessoa especial.
R.: Tem coisas que não dá pra
brincar, mas nossa amizade é normal.
MARIA, 10 ANOS – Tem um amigo com
Sindrome de Down. As cores no desenho feito por ela, mostram a felicidade que
fica quando está com ele.
Como você trata seu amigo especial?
R.: Trato ele bem, dou mais atenção
pra ele que pros outros amigos.
Como é ter uma amizade com uma pessoa especial.
R.: É legal. Gosto muito dele.
ANA CAROLINA, 10 ANOS – Tem um amigo
autista com 18 anos. No desenho, o azul
representa o quanto dá de atenção para os amigos; o “L” representa os amigos “normais” e o triângulo representa o amigo especial.
Como você trata seu amigo especial?
R.: Dou atenção para todos, mas
quando está com ele, dá uma atenção maior.
Como é ter uma amizade com uma pessoa especial.
R.: Você precisa dar mais atenção e
pensar melhor nas brincadeiras.
Monica é pedagoga e pós graduada em educação especial
Veja o que ela fala sobre como é ter um aluno especial em sala:
Como
foi sua reação ao saber que teria um aluno especial?
Não posso dizer que tive uma reação nesta
situação, uma vez que desde quando iniciei o magistério, tenho, na maioria das
vezes, alunos com deficiência, síndrome ou transtorno em minhas salas de aula.
De toda forma, a primeira sala em que tive um aluno com deficiência me deixou
inicialmente inquieta, pois não tinha experiência e tinha medo de não saber
lidar com a situação que, com o passar do tempo, pude perceber que ocorre da
forma mais natural possível, pois aprendi que não funciona desta forma: a turma
E aluno com deficiência. E sim desta forma: a turma. Ele faz parte da turma e o
meu papel enquanto educadora é possibilitar situações de aprendizagem
significativa para todos eles.
Qual foi
a maior dificuldade?
Trabalhar com falta de recurso para compra de
material adequado.
Como
docente, qual a sensação de ter um aluno especial e saber que você esta
ajudando-o a se desenvolver cada dia melhor?
Sem dúvida alguma uma sensação incrível, de cumprir
o dever, na verdade. A gente percebe o quanto a dedicação vale a pena ao
observar os pequenos avanços (de acordo com a percepção em que o aluno deveria estar) como grandes avanços,
levando em consideração sua dificuldade, de onde partimos e onde chegamos.
Realmente é uma sensação encantadora.
Como
era o convívio com outras crianças?
A princípio gerava-se estranheza ao perceber
que havia alguma “diferença” – assim os alunos diziam. O mais importante da
inclusão, é mostrar para os alunos que não há diferença, que somos humanos e é
isso que nos classifica, sendo assim, somos iguais. Então fazer a classe
abraçar a causa e elaborar atividades que envolvam a colaboração também é muito
importante para um convívio saudável.
Como
era a resposta dada desse aluno a suas atividades e expectativas?
Depende do aluno, da deficiência, do
contexto... Na verdade nós estamos sempre achando que podemos fazer mais pelos
alunos, então isto geral uma automática e incansável busca por mais,
característica comum no professor. Desta forma, um aprendizado importante que
tive em minhas formações é não oferecer atividades que frustrem o aluno,
adaptar o planejamento e os objetivos para que este (o planejamento) seja
próximo ao aluno. Trabalhando desta forma, estaremos em sintonia com a
aprendizagem do aluno, não gerando nem recebendo frustrações.
A
escola era projetada considerando a inclusão de alunos com deficiências físicas
e mentais?
As duas escolas foram projetadas para
atendimento dos alunos com deficiência, mas, infelizmente, uma delas apresenta
um elevador que nunca funcionou, o que impossibilitava o acesso de um aluno com
deficiência ao andar superior do segundo prédio da escola, uma vez que lá não
havia rampa de acesso. Além disso, nos
lugares onde havia rampas, estas eram muito
esburacadas, o que pode proporcionar facilmente um acidente com cadeiras de
rodas ou muletas, por exemplo.
Na outra escola, há um ambiente totalmente acessível,
com elevadores e rampas, banheiros para cadeirantes e, inclusive, trocadores (é
uma EMEF). Infelizmente nesta o ambiente é totalmente ruidoso e isso faz com
que o aluno perca a atenção na aula, bem como dificulta para o aluno com DA ou
TDAH, por exemplo.
Há
recursos e tecnologias assistivas para trabalhar com esses alunos?
Pouca coisa. A maioria foi produzida por mim
enquanto tive os alunos.
O local onde tive mais acesso a tecnologias
assistivas foi na sala de recursos, mas ainda assim eu precisava improvisar com
outros materiais.
Há
cursos de formação continuada periódica para capacitação dos docentes?
Não, infelizmente. Quando há, ocorre em
horários em que estamos em aula (com frequência), sem dispensa de ponto e com
vagas extremamente limitadas. Na outra rede em que eu trabalhava estes cursos
eram mais acessíveis, porém menos efetivos (quando se trata de deficiência).
No
intervalo tem brincadeiras dirigidas para alunos especiais com acompanhamento
de monitores?
No intervalo os alunos são acompanhados por uma
pessoa específica que os auxilia na alimentação e AVD’s, porém as brincadeiras
ficam a cargo de outros funcionários da escola, uma vez que não é função desta
pessoa específica.


