domingo, 24 de maio de 2015

MEU AMIGO ESPECIAL

A importância da inclusão social de crianças com deficiências físicas ou mentais é muito importante para ter desenvolvimento como pessoa. As experiências que tivemos quando crianças, certamente refletiram e nos moldou como adultos hoje. Não será diferente para as crianças que precisam de uma educação especial em certos aspectos.

Precisamos mostrar às crianças sem alguma deficiência que isso não as tornam melhores daqueles que tem. Precisamos mostrar que todos somos iguais de certa forma e que ter nascido especial, não é um problema.
Ao visitar uma sala em uma escola de Educação Infantil a Ensino fundamental, perguntei a 5 crianças quem tinha um amigo especial e pedi para que elas desenhassem como elas veem esses amigos. Após observar os desenhos, fiz algumas perguntas para cada.
Segue abaixo desenhos de 3 crianças e suas respostas às perguntas:

GIOVANA, 8 ANOS – Tem uma amiga com Sindrome de Down.
Como você trata seu amigo especial?
R.: Normal, ela não é diferente de mim.
Como é ter uma amizade com uma pessoa especial.
R.: Tem coisas que não dá pra brincar, mas nossa amizade é normal.

MARIA, 10 ANOS – Tem um amigo com Sindrome de Down. As cores no desenho feito por ela, mostram a felicidade que fica quando está com ele.
Como você trata seu amigo especial?
R.: Trato ele bem, dou mais atenção pra ele que pros outros amigos.
Como é ter uma amizade com uma pessoa especial.
R.: É legal. Gosto muito dele.

ANA CAROLINA, 10 ANOS – Tem um amigo autista com 18 anos. No desenho, o azul representa o quanto dá de atenção para os amigos; o “L” representa os amigos “normais” e o triângulo representa o amigo especial.
Como você trata seu amigo especial?
R.: Dou atenção para todos, mas quando está com ele, dá uma atenção maior.
Como é ter uma amizade com uma pessoa especial.
R.: Você precisa dar mais atenção e pensar melhor nas brincadeiras.

Monica é pedagoga e pós graduada em educação especial
Veja o que ela fala sobre como é ter um aluno especial em sala:

Como foi sua reação ao saber que teria um aluno especial?
Não posso dizer que tive uma reação nesta situação, uma vez que desde quando iniciei o magistério, tenho, na maioria das vezes, alunos com deficiência, síndrome ou transtorno em minhas salas de aula. De toda forma, a primeira sala em que tive um aluno com deficiência me deixou inicialmente inquieta, pois não tinha experiência e tinha medo de não saber lidar com a situação que, com o passar do tempo, pude perceber que ocorre da forma mais natural possível, pois aprendi que não funciona desta forma: a turma E aluno com deficiência. E sim desta forma: a turma. Ele faz parte da turma e o meu papel enquanto educadora é possibilitar situações de aprendizagem significativa para todos eles.

Qual foi a maior dificuldade?
Trabalhar com falta de recurso para compra de material adequado.

Como docente, qual a sensação de ter um aluno especial e saber que você esta ajudando-o a se desenvolver cada dia melhor?
Sem dúvida alguma uma sensação incrível, de cumprir o dever, na verdade. A gente percebe o quanto a dedicação vale a pena ao observar os pequenos avanços (de acordo com a percepção em que o aluno deveria estar) como grandes avanços, levando em consideração sua dificuldade, de onde partimos e onde chegamos. Realmente é uma sensação encantadora. 

Como era o convívio com outras crianças?
A princípio gerava-se estranheza ao perceber que havia alguma “diferença” – assim os alunos diziam. O mais importante da inclusão, é mostrar para os alunos que não há diferença, que somos humanos e é isso que nos classifica, sendo assim, somos iguais. Então fazer a classe abraçar a causa e elaborar atividades que envolvam a colaboração também é muito importante para um convívio saudável.

Como era a resposta dada desse aluno a suas atividades e expectativas?
Depende do aluno, da deficiência, do contexto... Na verdade nós estamos sempre achando que podemos fazer mais pelos alunos, então isto geral uma automática e incansável busca por mais, característica comum no professor. Desta forma, um aprendizado importante que tive em minhas formações é não oferecer atividades que frustrem o aluno, adaptar o planejamento e os objetivos para que este (o planejamento) seja próximo ao aluno. Trabalhando desta forma, estaremos em sintonia com a aprendizagem do aluno, não gerando nem recebendo frustrações.

A escola era projetada considerando a inclusão de alunos com deficiências físicas e mentais?
As duas escolas foram projetadas para atendimento dos alunos com deficiência, mas, infelizmente, uma delas apresenta um elevador que nunca funcionou, o que impossibilitava o acesso de um aluno com deficiência ao andar superior do segundo prédio da escola, uma vez que lá não havia rampa de acesso. Além disso, nos

lugares onde havia rampas, estas eram muito esburacadas, o que pode proporcionar facilmente um acidente com cadeiras de rodas ou muletas, por exemplo.
Na outra escola, há um ambiente totalmente acessível, com elevadores e rampas, banheiros para cadeirantes e, inclusive, trocadores (é uma EMEF). Infelizmente nesta o ambiente é totalmente ruidoso e isso faz com que o aluno perca a atenção na aula, bem como dificulta para o aluno com DA ou TDAH, por exemplo.


Há recursos e tecnologias assistivas para trabalhar com esses alunos?
Pouca coisa. A maioria foi produzida por mim enquanto tive os alunos.
O local onde tive mais acesso a tecnologias assistivas foi na sala de recursos, mas ainda assim eu precisava improvisar com outros materiais.

Há cursos de formação continuada periódica para capacitação dos docentes?
Não, infelizmente. Quando há, ocorre em horários em que estamos em aula (com frequência), sem dispensa de ponto e com vagas extremamente limitadas. Na outra rede em que eu trabalhava estes cursos eram mais acessíveis, porém menos efetivos (quando se trata de deficiência).


No intervalo tem brincadeiras dirigidas para alunos especiais com acompanhamento de monitores?
No intervalo os alunos são acompanhados por uma pessoa específica que os auxilia na alimentação e AVD’s, porém as brincadeiras ficam a cargo de outros funcionários da escola, uma vez que não é função desta pessoa específica.